Como está organizada a pastoral familiar no Brasil

Como está organizada a pastoral familiar no Brasil

Entrevista com casal coordenador, Tico e Vera

BRASILIA, segunda-feira, 6 de agosto de 2012 – A Igreja Católica no Brasil tem uma grande força nas diversas pastorais que a compõem. Dentre elas destaca-se a Pastoral Familiar, que conta com uma eficaz capilaridade em todo o território brasileiro, atingindo desde famílias de grandes capitais até famílias de pequenas cidades e povoados mais recôndidos.

ZENIT esteve entrevistando o atual casal coordenador da Pastoral Familiar, Raimundo Veloso Leal e Vera Lúcia Morais Leal, mais conhecidos como Tico & Vera.

Publicamos a primeira parte da entrevista hoje. A segunda parte será publicada amanhã, terça-feira.

***

ZENIT: Como está organizada a pastoral familiar no Brasil em termos de dioceses, números de membros, de equipes? Qual é a estrutura?

TICO & VERA: No Brasil nós temos a “Comissão Nacional da Pastoral Familiar – CNPF”, como um mecanismo da “Comissão Episcopal para a Vida e a Família – CEPVF” da CNBB, que é presidida por dom João Carlos Petrini (Bispo da Diocese de Camaçari/Bahia) e que tem como membros componentes dom Antonio Augusto Dias Duarte (Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro/RJ) e dom Joaquim Justino Carreira (Bispos da Arquidiocese de Guarulhos/SP), além de dois assessores, um para os assuntos da Vida – Pe. Rafael Fornasier – e o outro para assuntos da Família – Pe. Wladimir Porreca -. Ela, a CNPF, é composta por um casal coordenador, um casal vice coordenador, além dos casais regionais no total de 17 – correspondem à divisão orgânica da CNBB – que juntamente com o bispo referencial para a Pastoral Familiar e um (ou dois) assessor(es) formam as Comissões Regionais. Por sequencia, as Arqui(Dioceses) e as Paróquias mantém a mesma organização. Se considerarmos que no Brasil temos 272 Arqui(Dioceses) e cerca de 11.000 Paróquias e acreditando que a Pastoral Familiar está implantada em, pelo menos, 80% dessas unidades eclesiais, podemos ter uma ideia do número de membros ativos da Pastoral Familiar.

ZENIT – Os movimentos eclesiais dão apoio para a Pastoral Familiar? Por exemplo, há 17 anos que vocês fazem parte das Equipes de Nossa Senhora e se alimentam dessa espiritualidade. Isso tem lhes ajudado para (e na) missão na Pastoral Familiar?

Tico & Vera – Os serviços e movimentos eclesiais existem em função de um chamado de Deus. Podem existir também, sob a inspiração de uma causa ou de uma necessidade e todos eles, sem exceção, vivem da sua mística e do seu carisma, que devem ser (e são), integralmente respeitados e considerados pela Pastoral Familiar. Por exemplo, no caso das Equipes de Nossa Senhora, movimento ao qual pertencemos e participamos nesses últimos 17 anos, a mística é a entre-ajuda e a presença de Jesus Cristo no seio das equipes e entre os casais que as compõem, e o seu carisma é a “espiritualidade conjugal”. O movimento não é um movimento de ação e sim de espiritualidade, para que o casal, vivendo-a em sua dinâmica própria, chamada “pontos concretos de esforço”, possa encontrar o amor e a vontade de Deus, a verdade e a comunhão com os irmãos. Perguntamos: qual a vontade de Deus para a nossa vida? é que O amemos acima de todas as coisas e possemos a amar ao nosso próximo como a nós mesmos. Qual o local preferido para aprendermos a amar a Deus e ao próximo? respondemos: A Família. Ela é formadora dos valores humanos e cristãos. Então concluímos que o casal que pertence a um movimento eclesial, que alimenta a sua espiritualidade através da mística e do carisma próprios desse movimento e que não contribui, como família (Igreja Doméstica) e Igreja (Comunidade) para as ações da Pastoral Familiar, corre o risco de morrer de perder a grande oportunidade de construir o Reino de Deus. Lembramos o Beato João Paulo II quando nos diz que o “destino da humanidade passa pela família”.

ZENIT – Então, a primeira ajuda que cada movimento pode dar para a pastoral familiar é que eles sejam fiéis ao seu próprio carisma fundacional?

Tico & Vera -Certamente! Estar atento à mística e ao carisma próprios do movimento –  principalmente os movimentos familiares – é estar atento à Palavra de Deus que nos pede que sejamos o “bom samaritano”, isto é, possamos “ver” e vendo possamos seguir os ensinamentos de cristo, cuidando e sarando as feridas dos nossos próximos nesse mundo que vive uma “cultura da morte” dos valores. É preciso eliminar das nossas vidas o individualismo, o subjetivismo, o consumismo, e outros “ismos” que tentam desconstruir a vida, a família e a igreja e o próprio Amor. Destacamos especialmente o “secularismo”, que definitivamente afasta a criatura do seu criador e quebra a tão necessária proximidade do homem de Deus. Nesse sentido, lembramos novamente o beato João Paulo II, quando nos diz na exortação apostólica Familiaris Consortio, exortação apostólica que trata da “missão da Família Cristã no Mundo de Hoje”, que “no plano de Deus Criador e Redentor a família descobre não só a sua «identidade», o que «é», mas também a sua «missão», o que ela pode e deve «fazer», e continua … “Voltar ao «princípio» do gesto criativo de Deus é então uma necessidade para a família, se se quiser conhecer e realizar segundo a verdade interior não só do seu ser, mas também do seu agir histórico”.

ZENIT – Quais são os subsídios preparados pela Pastoral Familiar para ajudar os diversos agentes de pastoral na sua missão?

Tico & Vera – A formação é algo básico na vida de qualquer pessoa que carregue em si o desejo do bem realizar, e isso é uma tônica em todos os que conhecem e amam, de fato e verdadeiramente, a Família e reconhecem que ela (a Família), não é uma invenção do homem, antes, é desígnio de Deus, e é a grande esperança divina para um mundo de justiça e de paz; conhecem e amam a nossa Igreja, como depositária fiel dos ensinamentos do Cristo Jesus; e, conhecem e amam a Pastoral Familiar, como uma ação que se realiza na Igreja, pela Igreja e com a Igreja, em favor de todas as  famílias.

A Família é vocação de vida e a Igreja contribui de forma decisiva para a vivência dessa vocação através da proclamação da mensagem cristã contida na Sagrada Escritura, na tradição oral e no seu magistério. No caso da Pastoral Familiar o contributo vem em forma das ações dos que a ela se dedicam e nos subsídios próprios para a formação dos seus agentes, destinados ao entendimento dos setores pré-matrimonial, pós-matrimonial, casos especiais, além de inúmeras outras literaturas. Proporciona também através do INAPAF (Instituto Nacional da Família e da Pastoral Familiar), que é um mecanismo agregado à Comissão Nacional, cursos de formações presenciais e à distância que possibilita de maneira efetiva e necessária, a formação de agentes. Devemos também evidenciar o “Diretório da Pastoral Familiar”, aprovado pela 42ª. Assembleia da CNBB, em …., entre muitos outros

Raimundo Veloso Leal & Vera Lúcia Morais Leal (TICO & VERA): Casal Coordenador da Comissão Nacional da Pastoral Familiar – CNPF, Pai de 04 filhos, se conhecem há 44 anos e são casados (no Senhor) há 38 anos. Residem em Salvador / Bahia – Telefone: (71) 9963.9003 – e-mail: ticovera@terra.com.br

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